Pense duas vezes antes de esquecer

Peguei uma Rolling Stone velha pra ler. A capa era do Paul, motivo suficiente pra reler. Dentro, uma crítica me chamou a atenção. Era sobre esse tal de Marcelo Jeneci que anda me deixando alegre ultimamente. E essa tal crítica falava muito bem sobre o álbum. Fiquei feliz ao ver que não era a única a amar essa cara. Sim, amor. Não gosto fácil das músicas que escuto. Nem vou dizer que com Marcelo foi assim. Primeira vez que eu o ouvi foi em 2010, Felicidade. Foi, sim, uma paixão instantânea que foi deixada de lado assim que o clipe terminou. Mas,   de algum modo, voltei a ouvi-lo este ano. Dessa vez, quis logo ouvir o álbum inteiro. Não me decepcionei.

Felicidade começa o álbum com excelência. Mostra o que vem por aí. Saiba que, se esta música é linda, e é, todas as outras também serão. Como bem expressa o clipe, o clima presente na canção é de pura alegria. Bem, alcançou o objetivo. Eu rio sem perceber, pois, afinal, felicidade é só questão de ter. Para Felicidade, nenhum tipo de estresse serve para preocupar.

Qual a sua concepção de paraíso? Aposto que é em uma praia. Jardim do Éden descreve o lugar-alvo com coqueiros e pegadas para o mar. Mas, por quê, afinal, temos o mar como símbolo de tranquilidade? Sou desses que têm medo do mar. É gigante e azul. Existem partes calma, mas não me conformo. Não vou deixar apenas meus comentários pessoais pra esta música. Ela reproduz, além da calma de um paraíso, o êxtase hormonal de quando se está apaixonado.Um dos pontos altos do álbum.

É com Copo D’água que o estilo se modifica um pouco. Não fica pesado, mas, também, não deixa de ser um rock. Como a maioria das músicas do álbum, esta fala sobre um relacionamento. Retrata as brigas e discussões evitadas (ou não) pelos casais. “quando um não quer, os dois não fazem tempestade em copo d’água” deixa claro que não é um bate-boca pequeno que vai ditar o fim de tudo.

Café com Leite de Rosas segue a linha indie que anda tomando conta (de mim) da cena musical brasileira. É um estilo musical agradável aos ouvidos. Por que, então, não caberia uma letra angustiada por quem não apareceu, não é? Se alguém já chega ao ponto de beber Café com Leite de Rosas, é muita angustia…

Chegamos ao ponto crítico do álbum. Uma música que deixa triste quem as ouve. Baseado em fatos reais. Quarto de Dormir agoniza em dor. Exemplifica um sentimento nutrido por quem ama e não pode ser correspondido. Isso tudo depois de uma briga. Pra completar: o instrumental limpo. Um violoncelo rasgando corações e voz violão digna de Tom Jobim. Suicidante.

Direto de Goiânia, Pra Sonhar, nos apresenta a dupla sertaneja Marcelo Jeneci e Laura Lavieri. Tudo bem, não é assim, mas foi a intenção na música. Um dueto embalado ao som de um acordeon com letras especiais para quem um dia pensa em se casar. Não, melhor, quem um dia sonha em se casar.

Apresento-lhes a música mais romântica da geração (até agora): Dar-te-ei. Não me interessa se tudo o que está na música é sincero, se tem uma história por trás. Interesso-me em saber que parece a coisa mais sincera já escrita (nesta geração). Sim, me declarei pra esta música. Ela se baseia em coisas eternas. Nada mais eterno do que qualquer sentimento. Nem a presença se tem pra sempre. Mesmo, dar-me-ar é o melhor presente.

Depois, viemos pra Lua. Aqui não pega celular e a Terra está tão longe. Não tem satélite transmitindo notícias de onde nós estamos. São nossos pensamentos vagando pelo espaço sideral em busca de um lugar pra repousar. Ou de ou lugar. Longe diz bem isso. Apelando pro lado sentimental da história.

Continuando no sentimentalismo, claro, Tempestade é insegurança. É o que mais se sente. Quando alguém acha que “vai chover desilusão”? Deixo no ar.

Voltamos pra Goiânia. Ok, não. Sem duplas sertanejas. Mas até dá pra lembrar um rodeio. Show de Estrelas é a única no álbum sem relação amorosa interpessoal. Porém, é uma viagem. Obviamente, fala de estrelas. Ou nos classifica como estrelas…Bem, entenda como quiser.

A música que originou o título deste post um tanto quanto pretensor demais, nos capta de volta ao rock. Pense Duas Vezes Antes de Esquecer consegue alternar momentos dançantes e alegres (não gays) com momentos reflexivos. A reflexão está na “fala” de dois eu-líricos presentes na música. Os dois lados de um casal.

Enfim, Feito Pra Acabar é uma poesia. A última poesia do álbum. E é também uma poesia sobre relacionamentos. É uma poesia sobre o fim. O fim de tudo. O fim da gente. O senso comum presente na sociedade dominando até o amor. Feito Pra Acabar é uma poesia feita baseada em perguntas que emudecem o coração.

No geral, Feito Pra Acabar, o álbum foi feito sob relações felizes e não tão felizes assim. Isso faz com que haja uma ligação com quem escuta. No fundo, cada um tem uma amor ou um desejo de amar. E é fácil se corresponder com letras e melodias presentes nesse álbum belíssimo.

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